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Tomaz Lotufo: a arquitetura de impacto humano positivo como desafio das próximas gerações

A sustentabilidade está na rotina de Tomaz Lotufo. O arquiteto vive em uma casa reformada por ele para se tornar 100% sustentável. Localizada na zona oeste de São Paulo, conta com quatro quintais, espaço para plantação de frutos e vegetais, aquecimento solar e cisterna para armazenamento de água. Especialista em arquitetura de baixo impacto ambiental, o profissional paulista compartilhou mais do que sua experiência com habitações ecológicas durante o II Congresso Estadual AEARV. Durante sua palestra, Tomaz Lotufo envolveu o público ao falar sobre o papel atual da arquitetura e promover uma mudança de comportamento das pessoas em relação aos espaços urbanos.

Um dos grandes destaques de Lotufo indica um novo olhar da arquitetura em relação ao coletivo. “As cidades são elementos que praticam metabolismo e, por isso, têm que ser olhadas como organismos vivos, em transformação. Precisamos usar os recursos para viver, mas ao mesmo tempo liberar recursos para outros viverem”, afirma.  A proposta da infraestrutura verde de Lotufo é de planejar, projetar e manejar construções de modo a transformá-las em espaços com diversas funções integrando sistemas sociais (lazer, paisagismo, produção de alimentos) e ecológicos (qualidade do ar, drenagem, armazenamento e escoamento de águas da chuva, tratamento de esgoto). “Podemos aproveitar a crise hídrica, por exemplo, para projetar elementos que tratem a cidade como um ambiente rico em recursos”, complementa.

O desafio, segundo o arquiteto, está em uma mudança de cultura. “O modus operandi é difícil de ser aprimorado. Estamos sempre dominados por influências externas, outros interesses que acabam interferindo na cultura e, em consequência, nas nossas funções”, comenta. Uma das ideologias do arquiteto e filósofo estadunidense Richard Buckminster Fuller serve de respaldo para o propósito defendido por Lotufo. “Precisamos de coragem para querer mudar. Buckminster dizia que precisamos ter em mente que só vamos conseguir mudar a cultura fazendo aquilo que a gente acredita e não lutando contra aquilo que não acredita”.

Foco em processo e não em resultado

Percorrendo o tema do II Congresso Estadual AEARV “Urbanidades: cidade para as pessoas”, Tomaz Lotufo acredita que o princípio de um novo cenário para o setor está em uma atuação mais participativa junto à comunidade, com atenção a todos os processos. “O desejo de mudar não é suficiente. Estamos muito longe, precisamos nos aproximar”, ressalta.

Uma das saídas apontadas por Lotufo está na academia: a participação mais efetiva no ambiente universitário traz o empoderamento do arquiteto. “Os estudantes precisam botar a mão na massa. Deixar de construir pedaços de uma casa e construir, verdadeiramente, uma casa. Não basta construir uma casa dentro da universidade – a casa precisa ser construída na comunidade para entender o processo, discutir com a comunidade as necessidades e as dificuldades do território urbano”.

 

 

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